Mulheres negras, estética branca e empoderamento feminino

23:55

Oi Pessoal!

Há um tempo atrás escrevi um texto sobre Relação cabelo-dor e meninas negras e de uns tempos para cá venho pensando nesse tema não só relacionado ao cabelo, mas a estética de uma maneira geral e do modo em como ela é imposta às mulheres.

É inegável que numa sociedade racista a estética normativa e aceita é a branca e graças ao Movimento Negro, isso vem mudando cada vez mais e conquistamos espaço para nossos variados tipos de trança, nossos traços, nosso cabelo natural e etc.


Mas e quanto às mulheres? A sociedade impõe que todas as mulheres devem performar feminilidade, com uso de maquiagens, salto alto e outras coisas dita femininas. Mulheres que se recusam a isso tem vagas de empregos recusadas, são vistas como estranhas, como mulheres que "querem ser homens", como abominações.


A sociedade racista ensina pessoas negras a desprezarem o que tem, desprezarem seus cabelos crespos, seus traços e tudo que remete sua negritude e o machismo inserido nessa mesma sociedade, influência mulheres a quererem o que não tem, não precisam e não faz falta. Falando especificamente da maquiagem, um dos rituais de feminilidade que nos dá uma versão falsa de nós mesmas. Com ela escondemos nossas olheiras, rugas, espinhas, linhas de expressão e chegamos o mais próximo possível de uma boneca inanimada.

O feminismo liberal tem associado essa prática como uma forma de empoderamento, como uma forma das mulheres poderem ser vistas como decididas e fortes, de serem tratadas com respeito que é como qualquer mulher deveria ser tratada, como qualquer pessoa deveria ser tratada. Isso não é liberdade. Liberdade é mulheres serem tratada como seres humanos na forma natural delas sem que precisem se transformar numa boneca para isso. Liberdade não é se conformar com os padrões que a sociedade consideram belos ou mesmo possuir essa ocupação de "ter que ser bonita". Liberdade é sobre emancipação feminina como classe.

Não dá para pegarmos o termo individualista "empoderamento", que muda de definição de pessoa para pessoa, e achar que isso nos dá qualquer autonomia ou "poder", afinal quando falamos de homens e poder sempre associamos isso ao fato do quanto ele é rico ou quanto pode controlar e colocar pessoas a seu favor, já quando dizemos que uma mulher é poderosa é associado ao sentido do quanto ela é intensa, sexy e outras coisas associadas a sua aparência, pois para a sociedade, o valor de uma mulher está inerentemente marcado por sua aparência.

Nós somos estimuladas a performarmos uma imagem irreal que vendem de mulheres lindas e perfeitas e quando estamos sem toda essa produção recebemos um tratamento totalmente diferente de quando estamos com ela, sem falar que a cultura da beleza e magreza interfere profundamente na vida de meninas e mulheres e cria uma insegurança enorme sobre suas aparências.

É claro que a prática de pintar a cara veio muito antes do capitalismo e da sociedade moderna, povos de diversos lugares do mundo já tinham esse costume, mas por motivos diferentes como o de culto aos deuses e proteção do sol. Isso, porém, é diferente da relação de mulheres com maquiagem nos dias atuais. Existe um movimento que gera mal-estar com esses padrões de beleza, porque vincula a ideia de que só seremos "boas" se estivermos atraentes para os outros.

Enfim, esse texto foi só um desabafo de algumas coisas que estavam ocupando minha mente e gostaria de deixar claro que boa parte dele foi graças a uma conversa que tive com a blogueira do radbr. Temos que tomar cuidado com a maneira como a palavra empoderamento vem sendo usada dentro do feminismo e sempre nos manter críticas a seu uso, pois como dito acima, empoderamento é sobre libertação feminina como classe.


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