[Resenha] Não sou eu uma mulher? + 8 de março

12:01


Oi pessoal, hoje é dia Internacional da Mulher e eu obviamente não pude deixar de falar sobre isso com um ponto de vista do feminismo negro. 
Não sou eu uma mulher, mulher negra e o feminismo é um livro teórico escrito por Bell Hooks na década de oitenta.

O livro é dividido em cinco partes, sendo que a autora da início a obra com uma introdução da qual critica  a socialização racista e sexista da mulher negra que  condicionou-as a desvalorizar sua feminilidade e olhar apenas para a raça como rótulo de identificação, além disso ela  critica as feministas brancas que ignoraram os problemas das mulheres negras quando começaram a exigir direitos civis.

Na primeira  parte do livro, Sexismo e a experiência das mulheres negras escravas, Bell Hooks da enfase ao caráter histórico do racismo e sexismo sofrido por mulheres negras, expondo a realidade dessas mulheres desde os navios negreiros o momento  em que  eram escravizadas. Esse é um momento bem pesado da leitura pois a autora descreve quase todas as práticas do colonizador para desumanizar e desmoralizar as mulheres negras e como isso  afetou psicologicamente essas mulheres que em seus países de origem eram tradas com carinho e atenção e de repente se viam numa realidade desumana .

Já na segunda parte, Desvalorização continuada da natureza feminina negra, nesse momento a autora explora de onde emergiu o pensamento estereotipado das mulheres negras como "sexualmente selvagens"   e explica como as mulheres brancas "se aproveitaram" disso tendo a mulher negra como uma espécie de anátema, conseguindo uma posição de maior privilégio na sociedade.

"Muitas pessoas tiveram dificuldade em apreciar as mulheres negras como nós somos devido à avidez em impor uma identidade sobre nós, baseada num sem número de esteriótipos negativos"

Na terceira parte,O imperialismo do patriarcado, a realidade do homem negro no sistema patriarcal é abordada, e os esteriótipos sobre o mesmo são escancarados como a visão dele como primitivo, forte e viril. Aqui a autora comenta sobre relacionamentos inter raciais e aponta as diferenças de quando uma mulher negra se relaciona com uma homem branco e de quando um homem negro se relaciona com uma mulher branca. Ela também comenta sobre como o mesmo sistema que "privilegia' o homem negro, tenta desumaniza-lo.

A quarta parte ,Racismo e feminismo: a questão da responsabilidade, aprofunda o que foi dito na introdução, aprofunda o impacto que o racismo tem na vida das mulheres negras e que isso não pode ser ignorado pelas mulheres brancas . A autora também comenta sobre a socialização da mulher negra :

" As instituições de educação acadêmica nada fizeram para aumentar a nossa compreensão limitada do racismo como uma ideologia política. Ao invés, os professores sistematicamente negaram a verdade, ensinando-nos a aceitar a polaridade racial na forma da supremacia branca e polaridade sexual na forma de domínio masculino"

"Inconscientemente a implantação nas nossas mentes da semente do imperialismo radical iria manter-nos para sempre na escravidão . Como poderia alguém derrubar, mudar, ou até desafiar o sistema no qual foi ensinado a admirar, a mar, a acreditar?"

A quinta  e última parte,Mulheres negras e feminismo,  temos a fala da oradora Sojourner Truth que certamente inspirou o título desse livro , em seu discurso ela relata o que passou durante seu tempo como escrava e mostra como ela e outras mulheres negras eram tratadas como socialmente inferiores às mulheres brancas. Aqui a autora também comenta sobre suas próprias experiências e decepções com o feminismo, criticando mulheres que usavam o movimento de maneira oportunista como forma de auto promoção. A autora também alega que para ela é impossível se dizer feminista e compactuar com outras formas de opressão:

"Cada vez que eu lia um livro feminista que era racista ou sexista, eu sentia uma tristeza e uma angústia de espírito. Por saber que florescia no mesmo movimento que tinha reclamado libertar as mulheres de redes sem conta que nos ligava mais e mais apertadas numa velha forma opressiva de testemunhar o falhanço de outro movimento da nossa sociedade potencialmente radical e transformativo."

Ela alega ter sido várias vezes questionada por outras mulheres negras  de compactuar com um movimento que na época era tão racista.

"A questão que devemos fazer uma e outra vez é como é que as mulheres racistas podem-se chamar a si mesmas feministas"

Apesar de ser um livro de poucas páginas a escrita é um pouco mais densa e a leitura pode ser um pouco mais cansativa, mas para quem quer se aprofundar mais sobre feminismo é uma boa indicação, eu particularmente gostei demais e me identifiquei muito com as passagens e questões que a autora aborda, adorei principalmente o modo como ela ressalta a desumanização que a mulher negra passou e que reflete socialmente até hoje.


Feliz dia internacional da mulher para todas que estão lendo isso e sigam o blog e acompanhem as redes sociais FacebookTwitterInstagram e Tumblr, obrigada.

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