A fase do auto-ódio

12:00


Cresci rodeada de referências das quais eu podia me identificar. Eu só brincava com bonecas negras, tinha Hayley Berry como referência de atitude e beleza em seu papel no filme Mulher Gato e minha mãe sempre lia livros para mim em que personagens parecidos comigo eram protagonistas. Apesar disso, veio a pré adolescência e posteriormente a adolescência e me vi numa sociedade que insistia em massificar e padronizar tudo. 

Tudo isso pode parecer ser algo muito pessoal da minha vida, mas o auto -ódio é /foi realidade de muita gente, afinal vivemos em uma sociedade que impõem um modelo de beleza, quase sempre ostentado uma pessoa branca,magra e geralmente de olhos e cabelos claros. Eu,por exemplo, cresci ouvindo amigas dizerem que seu "tipo" eram garotos brancos e de olhos claros e que isso era um gosto pessoal delas (o engraçado nessa frase é que o gosto é tão pessoal que todo mundo têm igual). Na época eu não percebia como isso afetava a vida das pessoas, inclusiva a minha.

Eu desde muito cedo comecei a fazer mudanças no meu cabelo para que ele ficasse da "maneira certa" , e em vários momentos me senti gorda, como se ser gorda fosse algo ultrajante, digno de humilhação, quando na verdade ser gorda muitas vezes não é um problema, existem muitas pessoas que são gordas e são saudáveis. O "problema" aí é o fato de essas pessoas não se encaixarem num tipo físico que a sociedade idealiza.

   Por vários momentos eu achei que por não pertencer a esses padrões não fosse digna de carinho e atenção,mas aí fui me aprofundando  no feminismo ( falarei mais sobre minhas experiências em breve) e percebendo que me amar era um ato de coragem, um ato revolucionário.  E essa é a intenção desse post, mostrar que devemos nos orgulhar de quem somos e  não abaixar a cabeça para as pessoas que dizem como deveríamos ser, devemos saber que a culpa desse auto -ódio é de uma sociedade estruturada para que detestemos nosso reflexo e acreditem, é muito mais difícil ter esse amor próprio se estamos rodeados de pessoas tóxicas e relacionamentos tóxicos, como dito no post anterior.

É isso, espero que reflitam sobre como ignoramos pessoas não- padrão e como muitas vezes as enxergamos como se não fossem dignas de atenção e espero que compartilhem isso e que sigam o blog, obrigada.

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